Pesquisadora do NUPEP se torna membro do IHGN
Publicado em: 01/08/2025
A Profª. Ms. Juceli Silva tomou posse como membro titular na cadeira n° 37 do Instituto Histórico e Geográfico de Niterói (IHGN). O Nupep parabeniza a pesquisadora, reconhecendo a importância da sua atuação junto à vida cultural, patrimônio e memória de Niterói. Abaixo a apresentação redigida pelo Prof° Dr° Rui Aniceto Nascimento Fernandes membro do IHGN e professor da UERJ.
Juceli Santos da Silva
Se a UFF é uma marca indelével que muitas vezes passa a compor a alcunha daqueles que lá traçaram suas trajetórias – que o diga a professora Ismênia, que em todos os cantos do país é conhecida como Ismênia da UFF – não há quem, no Rio de Janeiro, não conheça a Juceli da UFF. Ouso dizer que não há alguém da comunidade historiadora nacional que não conheça a Juceli da UFF.
Conheci Juceli nos idos de 2002 quando ingressei no Programa de Pós-Graduação em História. Ela acompanhou a matrícula daquele jovem e franzino rapaz que iniciava seu mestrado. Recebeu-me com um sorriso largo e seu jeito espontâneo que sempre cativou a todos que, desesperados, buscavam orientações para lidar com a burocracia universitária. Por quase vinte anos atuou como prestadora de serviços técnico administrativos no Programa de Pós-Graduação e na Graduação em História. Concomitantemente, por quase 18 anos, secretariou a seção estadual do Rio de Janeiro da Associação Nacional de História (ANPUH). Em ambos espaços – UFF e ANPUH – pôde conviver com uma plêiade de historiadores nacionais e internacionais que ditaram os rumos da historiografia brasileira neste século XXI. Quantas conferências, palestras, simpósios, congressos, encontros, bancas de qualificação e de defesas de mestrado e doutorado pôde participar? Quantos eventos ajudou a organizar? Seu currículo não consegue dar conta desta rica e vasta experiência que lhe gerou o gosto pela história e pela historiografia. Uma historiografia marcada pela guinada subjetiva, pelo giro linguístico, pela história vista de baixo, pela inserção de novos objetos, temas e metodologias. Uma historiografia que deixou a casa grande para explorar a senzala, que foi dos barões e figurões aos homens e mulheres trabalhadores, camponeses, caiçaras, mariscadores, artesãos. Uma historiografia que foi dos modos de produção à economia moral da multidão; que foi da macro política ao micropoder. Uma historiografia que avançou sobre o campo do ensino de história e que tem se preocupado cada vez mais com a investigação sobre as diversas experiências vivenciadas por todos os grupos sociais ao longo dos tempos.
Seu interesse pelo patrimônio começou quando se integrou ao Grupo de Pesquisa do INCT Proprietas, da UFF, onde passou a estudar o patrimônio material de Niterói. Construiu verbetes sobre algumas edificações locais e escreveu o artigo “Patrimônios fantasmas em Niterói: uma proposta de estudo do primeiro “arranha-céu”da cidade”, lançado em ebook, em 2024.
Foi também nesse período que decidiu fazer seu curso superior. Em 2020, concluiu a licenciatura em Turismo na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). História e turismo afloraram o campo de estudos que resolveu se dedicar: o patrimônio cultural. Mas não é o patrimônio cultural de qualquer lugar. É o de Niterói! Lugar que a viu nascer – viveu a infância na rua Magnólia Brasil, no Fonseca, e onde vive hoje, no Centro, próximo à Catedral. Local onde trabalha desde sempre! Lugar onde teve suas duas filhas – Beatriz e Ana Júlia. Sua monografia de graduação tomou como tema a Igreja de São Lourenço dos Índios.
Fez a especialização em Educação Patrimonial pelo Instituto dos Pretos Novos (IPN) e o Mestrado no Programa de Pós Graduação em Cultura e Sociedade, na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), onde estou a história do primeiro aranha-céu de Niterói, construído na Gestão de Feliciano Sodré, na segunda metade da década de 1920. Uma dissertação pioneira que tive a honra de poder ler ainda antes da defesa, mesmo não estando em sua banca. Uma dissertação que destaca as vidas vividas por um prédio que foi criado para abrigar o Instituto Fluminense de Fomento Agrícola integrando-se aos projetos sodrelistas para o estado, acolheu vários órgãos estaduais – ao longo do tempo – até ter no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro sua última utilização digna! Um prédio moderno! Que compunha um projeto moderno de urbanismo da enseada de São Lourenço. Um prédio que marcou a história de Niterói e que, hoje, está abandonado como tantas outras construções de importância para a história do estado do Rio de Janeiro.
Juceli da UFF, Juceli da ANPUH-RJ, Juceli do patrimônio niteroiense e agora Juceli do IHGN! Que nosso Instituto possa lhe proporcionar um espaço de convivência e de trabalho em prol do patrimônio e da cultura local.
