A Inventiva Graduanda: Notas sobre a Reformulação do Site
Como é possível notar que o site do Núcleo mudou, e para melhor! Acompanhe brevemente a história por trás da mudança.
Dentre muitas transformações, inauguro aqui um novo tipo de notícia, não mais assinada pelo impessoal “Editorial NUPEP”, assinada por mim, Cauã Lemos. Essa é apenas uma das diversas mudanças que pode-se perceber no site. O olhar historiográfico não nos permite analisar o evento por si só; portanto, peguem suas lupas analíticas, águas, chás e/ou cafés, pois lhes apresentarei todo processo culminante nessa (micro-)revolução.
Do motor da ação
Primordialmente, a ideia de mudar não foi minha. Meu parceiro de aventura, Yann Dezedias, foi quem pensou nisso, compartilhou comigo, daí levamos à “instância superior”. Havíamos sugerido a ideia para a nossa orientadora, Dra. Mônica Martins — co-fundadora e coordenadora-geral do Núcleo, que apenas nos respondeu: “façam algo e depois me mostrem”. Tomamos como um desafio e colocamos a mão na massa… ou melhor, no teclado e mouse. Bem, se estou aqui é porque ela aprovou, não é? Não só aprovou como amou todas as mudanças feitas.
É importante situar: esse feito só foi possível devido a uma colaboração e sinergia, quase perfeita, desses alunos de graduação. O trabalho cooperativo de alguém que não é programador formado, mas entende muito da área, o Yann, e uma pessoa formada em design gráfico, eu. Não só sou designer, como meu projeto principal no curso, à época, foi o desenho de um aplicativo, o que não é nada distante de website. Portanto, em analogia, o novo “Edifício NUPEP” só existe porque houve o trabalho do arquiteto, eu, que desenhava a ideia, e do engenheiro, que analisava a viabilidade do desenho e o executava.
Da relação teoria e prática
Parando com a lírica e falando mais sobre o que foi feito: idealizei todo o site na linha estética do minimalismo. O Yann adorou que, além de adotar o minimalismo — característico dos meus trabalhos, eu me inspiraria no design liquidglass do iOS.26, a atualização do sistema operacional dos dispositivos Apple para o ano de 2026. Essa inspiração se manteve mais presente no header-menu, digamos, a “barra-guia” do site. Aqui encontramos o conflito entre a teoria e a prática. Apesar de ambas as partes adorarem a ideia, ela era “impraticável”. Devido à limitação na paleta de cor presente, a bicromia marrom-branco do grupo, houve certa dificuldade em manter um contraste adequado para uma melhor experiência do usuário. Veja, poderíamos ter sido intransigentes com a idealização da translucidez, custando a legibilidade na “barra-guia”. Veja a seguir:


O trabalho teórico não parou nos padrões estéticos amplos ou fragmentos de interface bonitos, porém soltos. Busquei por inspiração em diversos locais. E certamente, ao navegar pelo novo site, você sentirá familiaridade com alguma parte dele.
Priorizando a melhor e mais intuitiva experiência do usuário, busquei referências/inspirações de sites e aplicativos no Behance, uma rede social em que designers compartilham seus projetos e portfólios. Não almejei apenas o belo mas também o intuitivo. Aqui ressalta-se a sinergia da dupla criativa: por um certo período, tive que me ausentar do desenho do projeto, o que não impediu o engenheiro de continuar trabalhando e ter ideias; assim sugiram as páginas de perfil e de projeto de projetos de pesquisa. Duas novas áreas em completa consonância visual com o restante do site, que abriram um novo leque de ideias. A página dos projetos foi uma excelente adição do Yann cumprindo perfeitamente o papel informativo do site. Ela está praticamente assim como ele pensou à época, apenas sugeri a divisão entre “Projetos em Andamento” e “Projetos Finalizados” e uma sútil reorganização de elementos. Ao selecionar um projeto, vê-se um resumo dele, seus membros e suas produções correlacionados — sejam notícias, artigos de opinião ou textos.


A área das produções teve como inspirações visíveis: catálogos de lojas online e os repositórios de textos e artigos acadêmicos. Quando selecionava uma produção acadêmica no site antigo, via-se algo simplório e pouco informativo, via-se apenas a capa da produção e um bloco de texto. Agora tem uma aparência mais interessante, transmitindo as informações necessárias de maneira mais clara do que em caixas e mais caixas de textos. Outra adição foram os botões para acessar as obras: seja um link para comprar o livro ou um para baixar o PDF. Além de informações básicas como o DOI ou o ISBN, autores, publicação, número de páginas, como citar e resumo.


Pensando a diagramação da página de notícia, não havia necessidade de se reinventar a roda. Segui o padrão de muitos sites de notícias como: o g1, o Intercept, o Brasil de Fato e, em menor medida, a Jacobin Brasil. O padrão de: Título; chamada; autoria, guarde esse ponto; data de publicação; conteúdo da notícia; botões para compartilhamento da notícia nas redes sociais; e, ao fim da notícia, uma caixa de palavras-chave correlacionadas à notícia. A autoria nesse novo tempo terá papel destacado! Esse texto é um exemplo do que queremos: maior interação dos membros do grupo com o site. Tirar a exclusividade de redação do insípido “Editorial NUPEP”, que funciona praticamente como um recordatório de atas de reunião. Esse papel protocolar é importante, mas não devemos reduzir o site a isso. Queremos tornar ele interativo, atrativo ao público. Um “portal” que os membros poderiam compartilhar suas ideias de projetos, de pesquisa, seus projetos, suas ideias e reflexões — publicado como um artigo de opinião. Entendemos, que para torná-lo interessante, o site deveria guinar ao arquétipo de um site com newsletter. Um artigo periódico dará uma vivacidade maior ao Núcleo.

Ainda sobre os perfis, no “Quem Somos”, é possível ver um brevíssimo resumo sobre o grupo e em equipe ver cada membro participante. Essa talvez, juntamente com os artigos acadêmicos dos membros, seja a parte mais difícil de se fazer. Não por faltar conteúdo, mas pelo seu oposto. Há uma enormidade de informações a serem preenchidas. Em equipe, também há a separação por linha de pesquisa sobre propriedade. Mais a frente, haverá descrições explicando cada linha.

Sobre a nova joia do grupo, o Banco de Dados nem sempre teve o devido destaque. Na antiga formatação do site, era apenas uma tabela confusa com todos os registros de privilégios industriais/patentes desde 1809 até 1891. A cristalização de anos e anos de trabalho parecia estar no site apenas por estar, e não implementado como uma ferramenta que possa auxiliar futuros pesquisadores. Criamos filtros e uma barra de pesquisa total. Agora, sim, a Base de Dados: Inventiva Brasileira funciona como idealizado em sua origem: útil, intuitivo e de metodologia expressa.

“Finalmentes”
São curiosas as jogadas do destino. Coincidiu das bases mínimas para implementação da mudança do site estarem prontas no ano que o grupo completa seu primeiro decênio de existência. E com o passar de meses de trabalho nesse projeto, é muito gratificante ver o trabalho “pronto” e muito bem avaliado por todos que o veem. É curioso pensar que isso tudo só aconteceu por um espontaneísmo de duas pessoas que acreditavam que poderiam mudar algo que achavam ruim. Novamente, faço questão de relembrar que sou eu, o arquiteto, quem assina esse texto, mas isso nunca sairia do papel sem as mãos do meu pequeno-grande engenheiro, Yann Dezedias Miranda. Que possamos participar de muitas outras mudanças, de muitos outros grandes momentos.
